
Você olha a multidão e não compreende a correria, os passos largos, pois todos sempre voltam para o mesmo lugar: lares aconchegantes com sua TVs sintonizadas no mesmo canal, dividas batendo a porta e mais uma noite de sono para carregar a bateria daqueles que necessitam continuar na correria. Humanos são ponteiros de relógios multifuncionais, mas um dia a bateria torna-se não carregável. Gostaria que a minha funcionalidade não terminasse dentro de uma dessas crises onde não consigo explicar o termino de uma história e começo do meu presente. Contudo também não desejo meu fim com um histórico medíocre de vida. Sei que a maioria das pessoas optaria pela morte antes de se verem em uma confusão mental.
Olho o mundo pela janela. Anoto minhas percepções do agora, pois o presente é tão precioso quanto o que já passou. Só assim consigo decifrar-me aos poucos e só assim poderei entender alguma coisa quando o cenário mudar, como é de praxe. Não sei mais explicar meus fins e começos, estou muito confuso. Comigo tenho uma caneta, papéis e uma mochila carregada de cartas que reapareceram, da mesma forma que reapareci aqui sentado, observando um campo urbano. Pelo menos não me vetaram do direito de anotar minhas vidas.
Olho o mundo pela janela. Anoto minhas percepções do agora, pois o presente é tão precioso quanto o que já passou. Só assim consigo decifrar-me aos poucos e só assim poderei entender alguma coisa quando o cenário mudar, como é de praxe. Não sei mais explicar meus fins e começos, estou muito confuso. Comigo tenho uma caneta, papéis e uma mochila carregada de cartas que reapareceram, da mesma forma que reapareci aqui sentado, observando um campo urbano. Pelo menos não me vetaram do direito de anotar minhas vidas.
Ainda estou em um quarto de hospital, só que devidamente “livre”. Posso ler-me, todas as minhas cartas continuam intactas. Duas vezes ao dia um médico entra no meu quarto examina minha pressão, pergunta meu nome e minha idade. Depois anota alguma coisa na prancheta e sai. Ontem lhe perguntei o que eu fazia naquele lugar e ele apenas pediu-me para ficar calmo, pois em breve eu teria uma alta. Calmo? Creio que sou a pessoa mais calma do mundo em uma situação tão confusa. Desde que decidi pegar a estrada e ir para a cidade mais quente desse país nada tem tido muito sentido. E ainda assim consegui manter meus nervos controlados, admitindo para mim que todos os acontecimentos são completamente naturais.












